Cléo Brandão + Ecstasy = hum...
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Por que futebol?

Vinte e dois e uma bola. É quase ultrajante de tão simples. E quase quântico de tão complexo. A alegoria, sublimação, da guerra. Não do bem contra o mau, mas do bem e do mau contra a mediocridade da vida, dos nós de gravata dados a contragosto, do engarrafamento nosso de cada dia, das risadas enlatadas e dos choros entubados. Do sentimento programado e da emoção corporativa. O momento de êxtase, uma visita às origens do instinto, da racionalidade zero e da paixão em estado de arte. O yin-yang das massas.
Amigos forjados pelas cores da camisa e não pela justeza do caráter ou nobreza das idéias comuns assistem à batalha campal. Pouco podem fazer se não entregar sua alma àquele ideal. E elevá-la aos céus ou rebaixá-la às profundezas em questão de segundos. Em qualquer caso, no entanto, já se fez o bem de tirar o espírito da fria zona cinzenta da rotina. Condicionar sua felicidade à imprevisibilidade do jogo. Não a felicidade de verdade, mas a subfelicidade, equivalente sentimental do subconsciente. A felicidade instintiva e irracional de ver vinte e dois e uma bola e as possibilidades infinitas que essa premissa traz.
Se fosse uma música seria Jazz e se fosse arte seria Teatro. Porque é escrito ali, diante dos olhos, com enredos intrincados ou diretos, com os fracos ganhando dos fortes, os fortes ganhando dos fracos, sem politicamente corretismos, sem didatismos, sem logicismos. É onde, ainda que por um breve lampejo, se vê a vida acontecer.
Por isso, futebol.
Pedro Bial... ops, Grossi
domingo, 2 de novembro de 2008
História feita
Vejo Fórmula 1 desde quando Bush pai e Saddam eram amigos. E confesso, nunca vi nada como hoje. Nada. Nunca vi uma decisão dessas. Nunca me senti tão inconfortável nem demorei tanto para digerir um resultado.Parece mais que os demônios da F1 fizeram questão de roteirizar o tipicamente irroteirizável.
Após um belo (é gosto dizer) campeonato, criaram um script de drama complexo, capiciosamente emocionante, e que envolveu, além dos protagonistas de praxe, uma gama de improváveis personagens.
Na prova, quando o previsível se acomodou, a exemplo da Bélgica, a garoa paulistana - tipicamente "chuva" nos domínios de Interlagos - caiu no momento mais crucial que poderia, bem nos giros finais.
No segundo aguaceiro da tarde, um Hamilton quase irreconhecível deixava escapar entre os dedos, no embate com Vettel, um título mais uma vez sacramentado. Incrível.
Ao fechar em quarto, o mancebo alemão, espetacular, foi de novo brilhante, pela última vez a bordo de sua Toro Rosso (uma ex-Minardi, frise-se). Deixou o inglês no encalço, ensadecido na última volta. Nunca vibrei tanto com uma ultrapassagem.
O outro tudesco, Glock, calçado para o seco, pouco tinha a fazer a não ser ceder ao ataque da dupla. Mas tinha que ser na última curva? Custava tracionar e dobrar o Café? Apenas isso, deixando o entrevero para um já inútil S do Senna?
Lewis levou e Massa ganhou, pela segunda vez no Brasil (igualando a trinca de campeões do País) e pela primeira, de fato, no molhado. Foi exemplar, correu com gana de campeão. Deu dó a chegada aos boxes. Mais dele do que da festa antecipada do QG familiar.
E é justamente essa perplexidade ante ao imponderável que faz dessa brincadeira tão especial e apaixonante. Só quem conhece sabe.
Passada a frustação de início, sinto-me privilegiado por ter assistido a mais um ano de treinos e corridas. Espero alimentar o vício por muito mais tempo. De preferência, até bem depois de Obama e Osama relevarem consoantes e apertarem as mãos.
Que 2009 chegue amanhã.
Leonardo Rodrigues
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Salve demo-cracia

Oh, dúvida cruel que deprava a alma: em quem votar? No galhofeiro ou no enxadrista?
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
The Last Shadow Puppets - The Age of the Understatement (2008)
Eles escutaram muito Burt Bacharach, Hollies e Scott Walker – e ignoraram de forma sumária as rebarbas do Arctic Monkeys (grupo titular do líder Alex Turner).
Bingo!
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
Johnny Mathis - Open Fire, Two Guitars (1959)
O que importa é que isso não o redime de ser um dos discos mais belos de jazz vocal que já tive o comprazer de ouvir. Por sulcos de vinil, escuto Johnny Mathis desde o tempo das calças curtas (hoje?). Ele e Tony Bennett, Andy Williams, Frank Laine, entre outros crooners campeões dos bailes de terceira idade.
Como é bom redescobrir certas coisas.
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
Fábula da vida real
Nesses três filmes do Meirelles (não vi seus outros dois trabalhos, Domésticas e Menino Maluquinho 2) a tese é a de que, sob condições adversas, o homem se transforma em sua principal ameaça, mais do que zumbis, extra-terrestres ou plantas que liberam toxinas - é verdade que em ‘O jardineiro fiel’ ricos laboratórios farmacêuticos também são grandes vilões. O conflito social é mais importante e mais presente do que os personagens em si. Geralmente um personagem – o um que representa o todo – carrega a narrativa sob o próprio ponto de vista, moldando e remodelando os conceitos de ética e moral a partir das situações extremadas a que é submetido. Em ‘Ensaio sobre a cegueira’, Juliane Moore faz a mulher do médico. Apesar de conduzir a história, ela não tem nome, é o humano universal. No filme, ela é a única a enxergar em um sanatório para onde são jogados todos aqueles que inexplicavelmente perderam a visão. O ‘super-poder’ lhe confere também o fardo de tentar estabelecer alguma ordem e alguma justiça em um ambiente cada vez mais hostil e caótico. Ela mata, vinga a traição cometida pelo marido, se desespera e perdoa. Em alguns momentos age como um animal protegendo a comida e o abrigo do seu pequeno grupo, em outros age com a sensibilidade e carinho típicos da humanidade em seus bons momentos.
